Comportamento Pessoal na Segurança Industrial

A cultura da reclamação está enfraquecendo a segurança industrial

Comportamento Pessoal na Segurança Industrial – Existe um comportamento cada vez mais comum no ambiente industrial brasileiro que precisa ser discutido com maturidade.

A cultura da reclamação permanente.

Recentemente, durante um treinamento de reciclagem da NR-10 para eletricistas, uma situação chamou atenção e ilustra bem esse problema.

Ao longo da discussão sobre riscos elétricos, surgiram comentários conhecidos de quem trabalha com segurança:

  • “- Aqui a empresa não investe em segurança.”
  • “- A empresa não escuta.”
  • “- Aqui nada funciona.”
  • “- Aqui tudo é complicado.”

Esse discurso é comum.
E muitas vezes ele surge automaticamente sempre que o assunto é risco ou responsabilidade.

Mas existe um ponto que raramente é questionado.

Será que o problema está sempre na empresa?


Antes de continuar, responda a estas perguntas

  • Você exige da empresa um nível de segurança que pratica na sua própria casa?
  • Quem é realmente responsável pela sua segurança: a empresa, o gestor ou você?
  • É possível construir uma cultura de segurança sem responsabilidade individual?
  • Você aplica na sua vida pessoal o mesmo conhecimento técnico que utiliza no trabalho?
  • Quando identifica um risco, sua primeira reação é reclamar ou agir?
  • O conhecimento sem atitude ainda pode ser chamado de competência?
  • Quantos acidentes poderiam ser evitados se cada profissional assumisse sua parcela de responsabilidade?
  • A segurança começa na norma ou na consciência?
  • Se seus filhos observassem suas atitudes em relação à segurança, aprenderiam pelo exemplo ou pelas desculpas?
  • Você é um agente da cultura de segurança ou apenas um crítico dela?

Um exercício simples de responsabilidade

Durante o treinamento, ao abordar proteção contra choques elétricos com dispositivos DR (conforme NBR 5410), fiz uma pergunta simples aos eletricistas presentes:

“Na casa de vocês existe DR instalado?”

A resposta foi direta:

Então propus um exercício de reflexão.

Perguntei:

A resposta veio naturalmente:

“E quem são os trabalhadores da sua empresa doméstica?”

Então a pergunta inevitável surgiu:

Afinal, a NBR 5410 exige proteção por DR em diversas situações justamente para proteger pessoas contra choque elétrico.

E dentro da própria casa, ao contrário de uma empresa, não existe conselho administrativo, restrição orçamentária complexa ou disputa de investimentos.

A decisão é individual.

Mesmo assim, muitos profissionais que trabalham diariamente com eletricidade não aplicam em casa aquilo que cobram da empresa.


A incoerência que precisa ser enfrentada

Esse contraste revela um problema comportamental sério.

É relativamente comum encontrar profissionais que:

  • cobram investimentos em segurança da empresa
  • criticam decisões da gestão
  • apontam falhas organizacionais

Mas que, ao mesmo tempo, não adotam medidas básicas de segurança dentro da própria casa.

E estamos falando do ambiente onde está o maior patrimônio de qualquer pessoa:

Quando um profissional possui conhecimento técnico sobre risco elétrico e ainda assim não adota medidas básicas de proteção em sua própria residência, não estamos diante de falta de informação.

Estamos diante de algo mais grave:


Segurança não é apenas investimento

Existe uma narrativa muito difundida de que segurança depende apenas de investimento da empresa.

Essa visão é simplista.

Segurança depende de quatro fatores fundamentais:

  • engenharia
  • gestão
  • comportamento
  • responsabilidade individual

Empresas investem em sistemas de proteção, projetos elétricos adequados, manutenção e treinamentos.

Mas existe algo que nenhuma empresa consegue substituir:


A armadilha da cultura da reclamação

A cultura da reclamação cria um ambiente onde:

Esse comportamento enfraquece a segurança porque desloca permanentemente a responsabilidade para terceiros.

E segurança nunca foi uma via de mão única.

Ela exige compromisso de dois lados:


Segurança começa na atitude

Profissionais maduros em segurança elétrica entendem algo fundamental:

  • Segurança começa na atitude.
  • Começa quando o eletricista decide instalar proteção adequada em sua própria casa.
  • Começa quando o conhecimento técnico se transforma em ação.
  • Começa quando existe coerência entre o que se cobra da organização e aquilo que se pratica na vida pessoal.

Porque no final das contas, segurança elétrica não é apenas cumprir norma.

Segurança é responsabilidade.