Artigos Técnicos

NBR16384 SEGURANÇA EM ELETRICIDADE

de 25 de dezembro de 2020 Sem comentários
RTI relatório técnico de inspeção NR10

NORMA ABNT NBR 16384 – Segurança em eletricidade

Segurança na utilização de instrumentos de medição portátil

Recomendações e orientações para trabalho seguro em serviços com eletricidade

O que nos ensina a nova norma para trabalhos com segurança quando utilizamos instrumentos de medição portátil para trabalhos de manutenção ou inspeção em instalações elétricas!

Antes de fazer qualquer tipo de medição, convém verificar se a tensão do circuito é menor que a tensão máxima especificada para o instrumento. Além da tensão máxima do instrumento, atentar para o nível de impulso que o instrumento suporta.
Multímetros não são apropriados para serem utilizados em tensão acima 1 000 VCA.

Categorias de utilização (ou categoria de sobretensão) para baixa tensão.

Durante uma medição em um painel elétrico, poderá ocorrer um distúrbio que eleva consideravelmente a tensão medida, por exemplo uma a instalação receber uma descarga atmosférica. Neste caso, o instrumento receberá uma energia maior do que a que esperávamos medir, e assim um dano muitas vezes causadores de ferimentos a pessoa que o está utilizando.
Determinar a capacidade do instrumento em suportar os transientes de tensão é fundamental.

As categorias são divididas em CAT I, CAT II, CAT III e CAT IV.
Mesmo para uma categoria, ela pode ter nível de impulso diferente.

Conforme a definição da IEC 61010:

  • CAT IV – Para medições realizadas na entrada da instalação de baixa tensão;
  • CATI III – Para medições realizadas em instalações internas de baixa tensão, conjuntos de manobra de baixa-tensão, inclusive distribuição de iluminação e serviços auxiliares monofásicos;
  • CAT II – Somente para medições realizadas em circuitos diretamente conectados à instalação de baixa tensão, cargas conectadas a adotadas monofásicas removíveis;
  • CAT I – Para medições em circuitos não diretamente conectados Aparelhos eletrônicos.

Exemplos de utilização de instrumentos (continua)
CAT IV
Refere-se à “origem da instalação”, ponto em que é feita a conexão de baixa tensão ao suprimento de energia da rede externa

      • Medidores de eletricidade, equipamentos com proteção primária;
      • Ambiente externo e entrada de rede elétrica, derivação de eletricidade do poste ao prédio;
      • Linha elétrica aérea até o prédio isolado, linha elétrica subterrânea até uma bomba elétrica;
      • Painel de saída de um gerador.

CATI III
Refere-se a equipamento em instalações fixas, como por exemplo, mecanismo de distribuição ou motores polifásicos

      • Barramento e alimentador em instalações industriais
      • Alimentadores e derivações, dispositivos de painéis de distribuição
      • Sistemas de iluminação em prédios grandes
      • Adotadas de eletrodomésticos com conexões até a entrada da rede elétrica pública

CAT II
Refere-se a eletrodomésticos, ferramentas portáteis e cargas domésticas e outras cargas semelhantes

      • Adotadas e derivações longa
      • Adotadas a mais de 10 m de distância da CAT III
      • Adotadas a mais de 20 m de distância da CAT IV

CAT I
Refere-se a medições em Equipamentos eletrônicos com proteção

      • Equipamento conectado a circuitos (fonte) em que medidas são adotadas no sentido de limitar as sobretensões de transientes a um nível adequadamente baixo

Sobre os fusíveis de proteção

  • Fusíveis originais do instrumento possuem alta capacidade de interrupção.
  • Não se deve substituir um fusível original do fabricante por um de outro modelo, tipo ou fabricante. Isso é um risco!
  • Manter estoque de fusíveis originais dos instrumentos existentes.

As pontas de prova

  • É recomendado que tenham categoria igual ou superior à do instrumento.
  • Não utilizar pontas de prova improvisadas ou danificadas.
  • Manter estoque de pontas de prova originais dos instrumentos existentes.

Cuidados adicionais

  1. Instrumentos para áreas classificadas necessitam de certificado de 3ª parte emitido por um Organismo de Certificação de Produtos acreditado pelo Inmetro, do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC), e não de uma declaração do fabricante de 1ª parte. NOTA: Certificados estrangeiros e de sistemas internacionais, como UL, CSA, ATEX e IECEX não possuem validade legal no Brasil.
  2. Utilizar EPI completo (contra o choque elétrico, os efeitos térmicos de fogo repentino ou arco elétrico) para trabalho em eletricidade, conforme o nível de proteção proporcionado em relação ao nível de energia incidente do equipamento e da tensão elétrica, inclusive para os medidores de tensão.
  3. Pendurar o medidor: ao segurá-lo nas mãos, pode ocorrer a exposição aos efeitos dos transientes.
  4. Evitar utilizar instrumentos sem confiabilidade, deteriorados ou com adaptações. Os recursos de segurança
    implementados nos novos equipamentos podem justificar o custo de substituição.
  5. Segurança em painéis elétricos: Convém que os painéis elétricos sejam identificados por meio de plaquetas, com marcação indelével, informando o nível de tensão, nível de energia incidente e a distância segura de aproximação para atividades com porta aberta ou tampa removida.
  6. Não é recomendável intervenções em painéis energizados com níveis de energia incidente superior a 167,36 J/cm2 (40 cal/cm2), pelo motivo que não existe vestimenta de proteção com capacidade de proteger o trabalhador nestas circunstâncias.
  7. É recomendada a análise e redução das energias incidentes dos painéis elétricos existentes na planta industrial, mesmo com a perda da seletividade, por meio de um dos seguintes métodos:

a) alteração do grupo de ajuste do relê de proteção, precedida de análise de desvio temporário de proteção, alterando a proteção de sobrecorrente, temporizada ou instantânea, com novo ajuste temporário de “pick-up” e tempo;

b) utilização de sistema de detecção portátil de monitor de arco elétrico atuando internamente e sob o sistema de proteção.

Caso os métodos de redução dos níveis de energia incidente indicados não sejam implantados, convém que os níveis de manutenção ou intervenções sejam realizados somente com o painel desenergizado.

Somente é recomendada a permanência na área de proteção contra o arco elétrico, quando exposto ao risco, os trabalhadores formalmente autorizados e utilizando vestimentas de proteção completas, como capuz carrasco, conjunto de manobras, luvas de proteção e botas de proteção, contra os efeitos térmicos do arco elétrico com nível de proteção adequado à da instalação, além de outros que por ventura sejam necessários.

É recomendado que os serviços em instalações elétricas energizadas sujeitas a eventual arco elétrico com nível de energia igual ou superior a 8 cal/cm2 (nível de proteção AE-2) sejam realizados em duplas. São exemplos os serviços de inserção e extração de gavetas, contatores e disjuntores; manobras locais de disjuntores e chaves seccionadoras de alta-tensão; testes de tensão; termografia em painel aberto e inspeções.
NOTA: Para serviços e atividades onde não exista o risco de efeito térmico por arco elétrico, é recomendado que o trabalhador utilize a vestimenta de proteção – utilização diária – com nível de proteção AE-2 e luvas de proteção contra riscos físicos.

Durante as intervenções convém que estejam disponíveis os equipamentos de proteção coletivos (EPC) e dispositivos de segurança capazes de mitigar os riscos previstos na análise de risco, como bastão de resgate, detector de tensão e conjunto de aterramento temporário. A análise de risco pode recomendar outras proteções. Quando necessário, tapete isolante (pisos metálicos) e manta antichama.
NOTA: Para os trabalhadores que utilizam as vestimentas de proteção – de utilização diária – com proteção contra os efeitos térmicos de fogo repentino ou arco elétrico com nível de proteção AE-2, a manta anti chama não é necessária.

É recomendado que alterações no sistema de geração, na topologia da rede de distribuição ou no ajuste de proteção sejam precedidos por estudo de energia incidente dos painéis elétricos.
NOTA: As vestimentas de proteção são a última barreira do trabalhador, porém não protegem dos riscos mecânicos de um arco elétrico. Convém que este risco seja avaliado caso a caso.

Para a manobra de extração ou inserção completa do disjuntor, contator ou gaveta, convém que seja executada com o dispositivo completamente aberto.

O estudo do potencial de risco de arco elétrico do sistema elétrico da instalação, conforme os métodos de cálculo de LEE, IEEE 1584.1 (ver Anexo C) ou similar, necessitam ser armazenados para efeito legal.

A acessibilidade de painéis das classes 24 kV e 36 kV (LSC – Loss of Service Continuity Category) necessita ser da categoria LSC2A.
NOTA: Convém que o compartimento de cabos não esteja energizado quando qualquer outro compartimento do mesmo cubículo estiver sendo acessado. Quando não forem do tipo Gás Insulated Substation (GIS), necessitam de construção de compartição PM e ser resistentes a arco elétrico Para painéis elétricos com tensão igual ou inferior a #240V, exceto quando estes forem alimentados por transformadores de potência maiores do que 125 kVA, não é necessária a avaliação de arco elétrico e energia incidente, conforme descrito na IEEE 1584.1.

Utilização do bastão isolante acoplado ao detector de tensão:

Verificar a ausência de tensão por meio do detector acoplado ao bastão antes de aproximar de sistemas elétricos, especialmente barramentos de alta-tensão.

Utilização de chaves de teste não especializadas:

Não é recomendada a utilização de chaves de teste como canetas indicadoras de tensão do tipo chave de fenda, por luzes indicativas ou similar, nas instalações industriais.

Identificação das caixas de terminais dos geradores e dos seus respectivos cubículos de entrada nos painéis elétricos:

Em função do magnetismo residual, quando o gerador estiver girando, existe tensão em seus terminais, mesmo com o sistema de excitação desligado. Para evitar erros de avaliação da situação, é recomendado que seja colocada uma placa de segurança com advertência sobre esta condição.

Substituição de fusíveis em circuitos trifásicos:

Quando apenas um dos fusíveis se rompe, os outros dois podem ter se danificado devido à sobrecarga ou curto-circuito.

É recomendado substituir os três fusíveis em um circuito trifásico e descartar os retirados.

Manter em estoque quantidades sempre múltiplas de três para cada tipo e corrente nominal de fusível.

Manutenção de disjuntores de baixa tensão:

A confiabilidade, a velocidade e a abertura de um disjuntor dependem de sua especificação original e de suas condições de instalação, manutenção e operação.

A manutenção e calibração periódica dos relés de proteção e disjuntores para manter a integridade são fundamentais para a segurança da instalação e proteção dos trabalhadores contra os efeitos térmicos de um eventual arco elétrico.

Disjuntores com unidade eletrônica de TRIP: ensaio por injeção secundária de corrente, bem como ensaiar cada componente da malha em separado, pode não assegurar a funcionalidade e proteção do sistema.

NBR16384

O objetivo desta Norma é fornecer orientações adicionais para a operação e realização de serviços em eletricidade, visando à segurança das pessoas, trabalhadores e instalações , além de fornecer informações adicionais para a elaboração de um programa eficiente de segurança em eletricidade para a execução dos serviços, bem como organizar os aspectos humanos na intervenção destas instalações por meio de um sistema de gerenciamento.

Em síntese, um manual para possibilitar a elaboração de procedimentos de trabalho e segurança em eletricidade para execução de serviços e organizar o sistema de gerenciamento.

Eng. Glauber Maurin

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